quarta-feira, 28 de julho de 2010

No Rancho Fundo Chitãozinho e Xororó


No rancho fundo Bem pra lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
Contam coisas da cidade...
No rancho fundo
De olhar triste e profundo
Um moreno canta as "mágoas"
Tendo os olhos rasos d'água


Pobre moreno
Que de noite no sereno
Espera a lua no terreiro
Tendo o cigarro por companheiro
Sem um aceno
Ele pega na viola
E a lua por esmola
Vem pro quintal desse moreno


No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Nunca mais houve alegria
Nem de noite nem de dia


Os arvoredos
Já não contam mais segredos
E a última palmeira
Já morreu na cordilheira


Os passarinhos
Internaram-se nos ninhos
De tão triste esta tristeza
Enche de trevas a natureza


Tudo porque
Só por causa do moreno
Que era grande, hoje é pequeno
Para uma casa de sapê
Se Deus soubesse
Da tristeza lá da serra
Mandaria lá pra cima
Todo o amor que há na terra


Porque o moreno
Vive louco de saudade
Só por causa do veneno
Das mulheres da cidade


Ele que era
O cantor da primavera
Que e que fez do rancho fundo
O céu maior que tem no mundo


Se uma flor desabrocha
E o sol queima
A montanha vai gelando
Lembra o cheiro da morena

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Tenho a alma de um Lírio... Se ele a tivesse!