sábado, 30 de julho de 2011

Crônica de Vinícios de Morais


Uma Mulher Chamada Guitarra

Vinicius de Moraes



UM DIA, casualmente, eu disse a um amigo que a guitarra, ou violão, era "a música em forma de mulher". A frase o encantou e ele a andou espalhando como se ela constituísse o que os franceses chamam um mot d'esprit. Pesa-me ponderar que ela não quer ser nada disso; é, melhor, a pura verdade dos fatos.


0 violão é não só a música (com todas as suas possibilidades orquestrais latentes) em forma de mulher, como, de todos os instrumentos musicais que se inspiram na forma feminina — viola, violino, bandolim, violoncelo, contrabaixo — o único que representa a mulher ideal: nem grande, nem pequena; de pescoço alongado, ombros redondos e suaves, cintura fina e ancas plenas; cultivada, mas sem jactância; relutante em exibir-se, a não ser pela mão daquele a quem ama; atenta e obediente ao seu amado, mas sem perda de caráter e dignidade; e, na intimidade, terna, sábia e apaixonada. Há mulheres-violino, mulheres-violoncelo e até mulheres-contrabaixo.


Mas como recusam-se a estabelecer aquela íntima relação que o violão oferece; como negam-se a se deixar cantar, preferindo tornar-se objeto de solos ou partes orquestrais; como respondem mal ao contato dos dedos para se deixar vibrar, em benefício de agentes excitantes como arcos e palhetas, serão sempre preteridas, no final, pelas mulheres-violão, que um homem pode, sempre que quer, ter carinhosamente em seus braços e com ela passar horas de maravilhoso isolamento, sem necessidade, seja de tê-la em posições pouco cristãs, como acontece com os violoncelos, seja de estar obrigatoriamente de pé diante delas, como se dá com os contrabaixos.


Mesmo uma mulher-bandolim (vale dizer: um bandolim), se não encontrar um Jacob pela frente, está roubada. Sua voz é por demais estrídula para que se a suporte além de meia hora. E é nisso que a guitarra, ou violão (vale dizer: a mulher-violão), leva todas as vantagens. Nas mãos de um Segovia, de um Barrios, de um Sanz de la Mazza, de um Bonfá, de um Baden Powell, pode brilhar tão bem em sociedade quanto um violino nas mãos de um Oistrakh ou um violoncelo nas mãos de um Casals. Enquanto que aqueles instrumentos dificilmente poderão atingir a pungência ou a bossa peculiares que um violão pode ter, quer tocado canhestramente por um Jayme Ovalle ou um Manuel Bandeira, quer "passado na cara" por um João Gilberto ou mesmo o crioulo Zé-com-Fome, da Favela do Esqueleto.


Divino, delicioso instrumento que se casa tão bem com o amor e tudo o que, nos instantes mais belos da natureza, induz ao maravilhoso abandono! E não é à toa que um dos seus mais antigos ascendentes se chama viola d'amore, como a prenunciar o doce fenômeno de tantos corações diariamente feridos pelo melodioso acento de suas cordas... Até na maneira de ser tocado — contra o peito — lembra a mulher que se aninha nos braços do seu amado e, sem dizer-lhe nada, parece suplicar com beijos e carinhos que ele a tome toda, faça-a vibrar no mais fundo de si mesma, e a ame acima de tudo, pois do contrário ela não poderá ser nunca totalmente sua.


Ponha-se num céu alto uma Lua tranqüila. Pede ela um contrabaixo? Nunca! Um violoncelo? Talvez, mas só se por trás dele houvesse um Casals. Um bandolim? Nem por sombra! Um bandolim, com seus tremolos, lhe perturbaria o luminoso êxtase. E o que pede então (direis) uma Lua tranqüila num céu alto? E eu vos responderei; um violão. Pois dentre os instrumentos musicais criados pela mão do homem, só o violão é capaz de ouvir e de entender a Lua.
 
Vinícius de Moraes

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A viagem


Por o pé na estrada, mochila nas costas, pedindo carona
Olhar paisagens, curtir as passagens de cada canto
Conhecer meu brasil, andar por esse chão preto
 Ir a Tocantis, do Oiapoqui ao Chuí
 Conhecer os Tupiniquis e Desfilar na Sapucaí
 Não importa onde eu vá, meus olhos vão sempre brilhar
Com tantas belezas que verei

                                                                                        Eugenia 




quinta-feira, 28 de julho de 2011

A tristeza morava ao lado


Amor Perfeito
Em um vilarejo distante daqui, lá pelos confins do Brasil lá pelas bandas de Paulo Afonso moravam duas crianças. Uma menina alegre que a chamavam de Bruxinha por ser a criança mais levada da região e o Pintacilgo, uma criança diferente das outras e vou contar porque!
 Todos os dias Thaina, digo a Bruxinha saia cantarolando rumo a padaria comprar pães pra sua mãe servir a clientala. Elas moravam juntas numa pousada que a mãe herdara de seu falecido marido.
Maria, mulher de bom coração segundo as amigas.
Voltando a nossa Bruxinha, voltando pelo caminho de sempre encontrava lá na calçada em frente ao açougue, o Joõazinho. Assim que ela o viu já pensou num apelido carinhoso de Pintacilgo, já que o menino que apesar da aparência triste vivia assobiando.
Ao contrário dos outros dias a menina curiosa que era, resolveu puxar papo com o menininnho.
E aí Pintacilgo não cansa de assobiar?
E o menino nem uma palavra...
Você não tem lingua não?
Aí ele virou-se para ela e sorrio:
- ter até tenho, mas mamãe falou que eu não posso falar com você.
É,
e porquê!
- Sua cor, você é uma menina cor de carvão e eu não posso ter amizade com crianças assim senão vou ficar preto.
-Foi isso que ela te disse?
-Foi.
Vou indo, minha mãe está me esperando, tchau Pintacilgo.
E o menino deu de ombros, tchau.
A pequena parecia que havia caido em buraco imenso e que ninguém a poderia ajudar a se salvar.
Chegando em casa a mãe notou sua tristeza e perguntou:
-Que houve meu raio de sol?
-Mãe porque ninguém gosta da nossa cor?
-isso não é verdade flor, seu falecido pai era louro de olhos azuis e nós nos amávamos muito, até quele se foi. Ele sempre vai morar no meu coração.
-Mas ele nunca lhe ofendeu por causa de sua cor.
-Já sim, mas logo se arrependeu, ele me disse uma vez...Preto quando não suja na entrada,suja na saída. Numa noite que saimos e ele ficou com ciúmes de mim com outro rapaz.
-E a mamãe mesmo assim se casou com ele?
-Sim, eu o amava e depois disso nunca mais ele falou esse tipo de coisa, eu perdoei.
-Poxa vida, como é tudo complicado...E depois de dar um enorme beijo na mãe que chorava, saio pra brincar na quintal atrás da casa.
Subiu no pé de abacate e pode ver o menino brincando sozinho, então desceu pegou uma pedrinha e jogou nele que ficou procurando de onde ela havia caido.
Mais uma pedrinha foi lançada, até que em dado momento ele avistou a Bruxinha dando risada atrás de um galho. Ele pegou seus burguinhas e foi pra dentro de casa. Naquela noite houve uma grande tempestade, parecia que o céu ia desabar na cidade, o rio encheu em questão de minutos e a população ficou em estado de alerta. Foram horas de agonia, até que lá pelas 4 da manhã, uma mulher gritando apareceu a porta de Maria chamando por socorro, seu filho estava muito mal e precisava de alguém que ficasse com ele enquanto ela ia em busca de médico correndo. Foram ambas Maria e Bruxinha cuidar do enfermo, que delirava de febre. As horas seguintes foram cruciais para salvar a vida do Jõazinho que tinha contraído uma pneumonia.
Já medicado, a mãe acalmou-se e delicadamente agradeceu e pediu que as duas fossem descançar, afinal passaram a noite em claro. E assim foi, cada qual em seu lares.
Passaram os dias e Jõazinho melhorou, corado já sorria e ariscava tomar sol na calçada durante a manhã. Sua mãe fingia que nem conhecia a vizinhas e fazia questão de bater as portas e as janelas na cara delas.
-Não liga minha filha, as pessoas são assim, más por natureza, felizmente nem todos são assim...
Bruxinha ouvia calada, com a cabecinha baixa.
na manhã seguinte quando foi comprar os pães, ouvia uma vós de menino dizer:
-Oi Anjo! você zelaste de mim enquanto estava doente, me lembro de seu sorriso apertando minha mão, meu corpodoía muito.
ela permaneceu calada;
-Que foi? Onde está aquela menina sorridente que me joga pedras, me põe apelido e canta o dia todinho?
Com o rosto corado, os olhos em brasa ela responde:
-Sua mãe matou...
-Não! Minha mãe só contribui para algo que infelizmente alguns fazem, eu não sou assim, não vejo assim...
Bruxinha partiu sem dizer uma palavra, sua vida mudou, seu sorriso apagou-se e ela foi pra longe estudar.
Pintacilgo também foi, voltou doutor feito o pai. Já médico e de volta a cidade, quis saber da linda moreninha que o deixara há muito anos sem resposta.
Ela se tornara uma linda jovem, cabelos cacheados ao vento e uma pele macia feito pessêgo.
Quando cruzaram a rua seus olhares se fixaram e o espanto foi inevitável. Ambos falaram ao mesmo tempo. Riam e ele pediu que ela falasse primeiro:
-É mesmo você, aquele menino das pernas finas?
-Sou sim e se lembra como seus dentes eram pra frente?
-Claro que sim, nem me lembra...
Seus olhos não conseguiam parar de se ver.
-Eu tenho algo pra te dizer Bruxinha, algo que eu não pude dizer a uns 15 anos atrás.
-E o que é?
-Eu te amo, e quero me casar com você...
-Mas Jõazinho, sua mãe não vai permitir.
-Sou um homem agora e ela nada pode fazer ou dizer, nada mudará minha decisão. Se aceitar nos casaremosem breve...
-Eu quero sim, sempre te amei, quando parti levei você no meu coração.
E assim foi, o preconceito rendeu-se a um sentimento maior, o amor. 
E a mãe de Jõazinho teve 4 netos mulatinhos dos cabelos louros que ela ama mais que tudo nesta vida.





sábado, 23 de julho de 2011

História de um coração


Um coração veio me avisar que já era hora de voltar a viver, que a vida tinha pressa e não ia me esperar.
Hesitei um pouco, pensei no que faria com a minha vida, casa, filhos, neta e meus bichinhos queridos que são tantos...
Aí ele me respondeu que, eu sou apenas uma, e que os outros sobreviveriam bem sem mim, afinal nada é para sempre e que se eu quisessse ser feliz teria que ser agora, não se pode adivinhar nem o dia e nem a hora da felicidade ou do desfortúnio.
Ponderei, pensei e não conseguia chegar a uma solução em que ninguém viesse à sofrer, além de mim.
E com toda calma desse mundo aquele estranho coração olhou pra mim com os seus olhos cheios de lágrimas e disse: - Então fique, mas lembresse jamais lamente, a escolha que fez, eu vim te buscar pra te monstrar que a vida pode ser diferente e que a felicidade está ao alcance das mãos.
Com meus olhos ao chão respondi baixinho que sim. Ele não ouviu de tão baixo que sussurrei.
Então falei novamente...
Ele virou-se prá mim e respondeu:- É assim que responde, não vivias atrás de mim a me chamar, me procurando em cada olhar que passava na rua, em cada canção que ouvia, em cada lágrima que derramava? Você não sabe o que quer, a vida que conheces é só angústia e sofrimento, que seja assim então, eu parto agora.
Me desesperei, minha vida passou em segundos na minha mente e gritei espera... me leva com você.
O coração se voltou satisfeito e disse "Eu sempre acreditei que me amava" jamais partiria sem você!
Segurei bem firme nas mãos do meu desconhecido coração e o segui confiando sem olhar prá trás...
Disse lhe baixinho ao ouvido "Eu te amo e sempre soube que você viria" E ele respondeu "Eu sei..."
A nossa vida ninguém sabe, mas dizem que somos muito felizes, porque eu não vivo sem ele e ele não vive sem mim.
Afinal desde que o mundo é mundo...

" O amor é cego e andas apoiado nos braços da loucura"...

                                                                                                            Fim
                                                                                                                                           Eugenia

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Amiga, minha irmã de alma

Gifs e Imagens Para seu OrkutRê! Não importa o que venham me dizer de ti, nem o que tu fazes.
O que importa é o quanto representa em minha vida e o tamanho da nossa amizade...

Gifs e Imagens Para seu Orkut
Força amiga! Isso vai passar é só uma fase, se precisar estarei aqui, sempre.



quarta-feira, 20 de julho de 2011

Eu preciso muito do seu amor....
Queria estar contigo nesse momento.
Sinto sua falta...


Gifs e Imagens Para seu Orkut

segunda-feira, 18 de julho de 2011


Bom dia ...
Gifs e Imagens Para seu OrkutSe pudesse dizer tudo que penso...
Infelizmente nem tudo pode ser dito e demonstrado abertamente.

Mulher...mulher...

Travo batalhas internas, uma parte de mim é racional demais, e outra metade pura sensualidade e emoção. Ambas querendo sobressair e vencer a outra. Queria ser feito as outras, mas não consigo.
Se sujeitar a vontade do outro, fui assim por um tempo, depois tudo mudou.
São as duas faces de mim, queria poder ser somente razão. Assim ficaria tudo mais lógico e prático.

Mas de repente quando dou por mim... pronto,



a mulher dentro de mim se manisfesta e me surpreende.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Me sinto como as águas de rio, sigo meu curso sempre adiante. Enfrentando os obstáculos que encontro pelo caminho.

Os tempos mudam e as idéias acompanham...