sábado, 22 de janeiro de 2011

A sete chaves

O sol brilhava através da vidraça, já passavam das nove da manhã. Eu ali deitada, coberta com um pano branco. Meu coração estava gelado, as minhas mãos frias... Na verdade eu não queria estar ali, somente um rosto me confortava e trazia esperança que tudo daria certo. Queria que segurasse minha mão, enquanto os outros exploravam minha intimidade... pra mim aquilo tudo foi um sonho horrível, fiquei com o orgulho em pedaços. Pessoas estranhas me examinando o tempo todo e um vai e vem de instrumentos que eu nunca tinha visto antes. Em determinado tempo fechei meus olhos, já havia passado umas duas horas e eu não aguentava mais tanto sofrimento, apesar dos anestésicos eu me sentia mal. Fiz de conta que estava bem longe dali, e que as vozes que eu escutava não me importavam, somente uma delas me trazia a realidade... mas essa só podia abrandar meu sofrimento. Por mim eu não voltava nunca mais, me senti uma ovelha oferecida aos lobos.
Sei que tudo foi pro meu bem, mas porquê teve que ser assim? Eu poderia ser igual as outras pessoas.
Ainda sinto calafrios às vezes, meu rosto ainda está parcialmente inchado e minha cabeça dói muito ainda.
Expus meu segredo ao mundo, apenas uma pessoa eu permitia saber da minha vergonha e agora que foi revelado me sinto ofendida, frágil até o dado momento não havia percebido minha realidade. Todos esses anos passando por cima desse problema e ainda dizem que sou vaidosa e soberba. Não sou nada disso, depois que cheguei em casa chorei por horas e queria sumir da face da terra, justo eu que fui criada para ser forte e encarar tudo, nunca estive tão exposta e indefesa.
Não sei quando vou ter que voltar, estou com muito medo, ainda mais se a pessoa que me indicou não estiver presente aí vai ser bem pior. Confio nele, só nele e quando não puder mais cuidar de mim, não sei o que vou fazer. naquele abismo que eu me encontrava só com seu olhar eu me tranquilizava. Me reestabeleço a passos lentos, nunca havia passado por uma cirurgia antes e essa foi só a primeira delas.

2 comentários:

Zezinha Sousa disse...

Momentos difíceis, mas que nos fortalecem, é essa a função do sofrimento, saímos dele mais fortes.
Beijos, Eugênia!

Eugenia disse...

Isso é verdade, depois de tudo que estou passando vejo como é difícil passar por determinados momentos. Eu sei que vou conseguir com a força dos amigos.
Um grande abraço e ótima semana,beijos.

Tenho a alma de um Lírio... Se ele a tivesse!