quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Estação Rodoviária



A nossa estação mais se parecia com uma rua coberta por um telhado, com um pequeno guichê e um banheiro que falando francamente não dava nem para entrar.
Essas são lembranças de um tempo onde as horas passavam sem pressa. Ainda me lembro do cheiro  ruim que vinha de seu interior, urina, chegava até arder minhas narinas. 
O pequeno bar, apertado de tudo se tinha, de cachaça à fumo de corda. Jurandir era o proprietário, um homem alto, louro com sorriso sempre à mostra. Era amigo de minha mãe, ela gostava dele, sortudo,  minha mãe não gostava de muitas amizades.
Logo mais acima, ficavam as famosas charretes que levavam os passageiros para os bairros mais distantes. Lembro-me, do cheiro dos cavalos e seus donos, velhos contadores de histórias. 
Que saudade, dos circos que lá montavam suas lonas, "Moscou, Stankowich e Vostok" me vem a memória com seus animais ferozes em suas jaulas, famintos. 
Os donos dos circos pagavam bem para quem levasse gatos para alimentar os tigres e os leões. Tudo isso era feito à noite para que ninguém visse a covardia e crueldade.
Naquela época era diferente, haviam coisas boas para se contar e o que era ruim dávamos uma forma de amenizar a gravidade.
 Atualmente nossa história e nossos prédios antigos estão sendo demolidos em nome da modernidade.
As lembranças ficam apenas na memória de quem ainda sente saudades daquele tempo. Eu sinto e muito, ah quantas lembranças!

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